Capítulo 8: ERA CONTEMPORÂNEA

ERA CONTEMPORÂNEA

Kant pôs fim na pretensão filosófica de tentar conhecer as coisas tais como elas são, a realidade em si. Depois dele, a filosofia passou a ser basicamente uma grande teoria do conhecimento: o que é possível conhecer verdadeiramente tendo em vista os limites da nossa razão?



Aos poucos, a corte da “rainha das ciências” começou a se desgarrar e criar seus próprios reinos. As ciências humanas, como a psicologia, a sociologia, a antropologia, a história e a geografia, foram ganhando independência e passaram a ser encaradas como campos de conhecimentos específicos, com métodos e resultados próprios. O segundo a minar o poderio filosófico foi Auguste Comte e seu positivismo. O pensador francês achava que a filosofia deveria ser apenas uma reflexão sobre os resultados e o significado dos avanços científicos. Com isso, a filosofia se resignou a estudar o conhecimento adquirido por vias mais sólidas do que o pensamento puro e a ética, que nunca deixou de ser um tema essencialmente dela.

O século 19 também aproximou alguns pensadores da realidade. A crítica de Karl Marx ao modo de produção que, segundo ele, sistematicamente explora os trabalhadores e enriquece os ricos, teve reflexos no mundo real assim que seu Manifesto do Partido Comunista ganhou as ruas. Marx, no entanto, foi uma exceção. O interesse pelas estruturas do conhecimento e pela consciência e seus modos de expressão direcionou a filosofia para recantos herméticos, como os estudos da linguagem — corrente conhecida como filosofia analítica, iniciada pelo austríaco Ludwig Wittgenstein. O movimento ficou conhecido como a “virada linguística”. Outra vertente, conhecida como fenomenologia, se debruçou sobre os fenômenos que se manifestam para a consciência, a partir da ideia kantiana de que a razão é uma estrutura da consciência. Seu criador, Edmund Husserl, considera a realidade como um conjunto de significações ou sentidos produzidos pela nossa razão.
Foi preciso chegar o século 20, com suas grandes guerras e agitações sociais, para colocar a política por fim de volta à pauta dos pensadores, que se tornaram críticos das ideologias e da ideia de progresso. Os filósofos tentaram frear o delírio científico-tecnológico e o otimismo revolucionário que cooptou grande parte dos intelectuais. Passaram a se questionar se o homem, imerso em uma vida acelerada e soterrado pela burocracia, conseguiria ter uma vida feliz e almejar uma sociedade justa. O primeiro a lançar essa dúvida foi o alemão Theodor Adorno, um dos fundadores da Escola de Frankfurt, que buscou inspiração em Marx. Será o homem realmente livre ou uma marionete da sua condição psiquíca e social?

CONHEÇA OS PENSADORES

Friedrich Nietzsche


Nietzsche situou um marco constitutivo entre os atributos "Apolíneos" e o "Dionisíacos", donde Apolo figura como ícone de lucidez, harmonia e ordem, enquanto Dionísio representaria embriaguez, exuberância e desordem.

Ademais, baseado no niilismo, subverteu a filosofia tradicional, tornando-a um discurso patológico que aprecia a doença enquanto um ponto de vista sobre a saúde e vice-versa. 

Enfim, nem a saúde, nem a doença são entidades e as oposições entre bem e mal, verdadeiro e falso, doença e saúde, são somente alternativas superficiais.

Super-homem
Nietzsche foi um antidemocrático e um antitotalitário. O "super-homem nietzschiano" não é um ser cuja vontade "deseje dominar", posto que se interprete vontade de potência como anseio de dominar, onde se faz dela algo dependendo dos valores instituídos.

Por outro lado, vontade de potência, significa "criar", "dar" e "avaliar". Seria então alguém além do bem e do mal, depreendido de uma cultura decadente para gênese de uma nova elite, não corrompida pelo cristianismo e pelo liberalismo.

Em outras palavras, intelectuais responsáveis pela transmutação de todos os valores e proteção de uma cultura ameaçada pela banalidade democrática, forma histórica de decadência do Estado conhecido por pensar em si ao invés de ponderar sobre a cultura e sempre estar zeloso na formação de cidadãos dóceis. Daí sua tendência a impedir o desenvolvimento da cultura livre, tornando-a estática e estereotipada.



Jean-Paul Sartre

Sua obra mais destacada intitula-se “O Ser e o Nada: ensaio de ontologia fenomenológica”, publicada em 1943

Esse tratado filosófico aborda sobre a filosofia de Heidegger e alguns pensamentos sobre a liberdade humana. No entanto, foi essencial para configurar sua própria teoria sobre o existencialismo.

De acordo com Sartre, o ser humano existe como uma coisa e uma consciência (mente).

Theodore Adorno

Theodor Adorno e Max Horkheimer, afirmavam que a Indústria Cultural atuava como formadora das mentalidades. Contudo, não eram utilizadas de modo esclarecedor, o que também é uma possibilidade virtual deste sistema.

Se a Indústria Cultural foi a principal responsável pela alienação promovida pela destituição da arte de seu papel transformador, por outro lado, ela pode ser ela a única capaz de difundir e ressignificar a arte enquanto fator de transformação social.

Para Heidegger, a principal pergunta da filosofia deve ser sobre o Ser. No passado, os filósofos não indagavam sobre o ser e sim sobre o ente, uma coisa.

Ou então, buscavam entender o ser humano a partir de relação com os objetos e com o meio que ele estava.

Heidegger questiona sobre o homem, o único capaz de fazer-se essa pergunta. Assim quem é o homem? Quem é o ser?


Dasein

Para o estudioso alemão o homem é um “Dasein”.

O verbo, de origem alemã significa “sein” – ser e “da” – aí. Desta forma, o homem é um “ser aí” que é neste mundo.

Esta é a grande diferença com os “Entes”, pois o ente “está” no mundo.

Poder ser é a possibilidade de cada “dasein” de ser capaz de escolher em cada momento o que deseja ser, empregar seus esforços neste mundo.

Por outro lado, os animais não podem escolher. Exemplo: um gato. Sempre vai estar em busca de comida e abrigo até o final dos seus dias.

Já o "dasein" pode escolher, mas deve fazê-lo no mundo em que foram jogados. Note-se que o “dasein” não escolheu estar neste mundo e nem neste tempo.

Por isso, o "dasein" deve transformar sua existência em projeto que só terminará com a morte.
Karl Popper se dedicou ao pensamento do racionalismo crítico. Ao buscar responder ao que é ciência, formulou o Método Hipotético Dedutivo e se tornou um dos maiores pensadores da filosofia contemporânea.


Método Hipotético Dedutivo

Karl Popper fez críticas à indução. O princípio indutivo do método científico buscava comprovar teorias mediante a experiência decorrente da observação cuidadosa de uma série de eventos.

Isso fazia do método indutivo um método conjectural. Conjectural porque os eventos poderiam acontecer mediante várias situações e condições diferentes, o que fazia com que a conclusão nunca fosse absoluta.

Popper baseou essa ideia no filósofo David Hume. Hulme diz que não é pelo fato de alguém ter visto apenas cisnes brancos que pode afirmar que somente existem cisnes brancos.

Pois, no momento em que ver um cisne de outra cor, a afirmação feita anteriormente será invalidada.

Assim, Popper formulou o Método Hipotético Dedutivo.

Esse método está relacionado ao quadro de referência que traz os princípios necessários para que sejam realizados testes.

Ao contrário do método indutivo, o método dedutivo propõe que antes da observação para a formulação de ideias as ideias sejam pensadas. Somente depois devem ser verificadas para confirmar se fazem ou não sentido.

O que quer dizer que uma hipótese científica tem de surgir primeiro para somente depois ser submetida a testes.


Para Popper o processo de pesquisa apresenta três momentos: problema, conjecturas e falseamento.

  • Problema: pensar em um conflito que precisa ser resolvido.
  • Conjecturas: comprovar experimentalmente.
  • Falseamento: provar que a teoria é científica pelo fato de ela poder ser falsa.

Foucault


Segundo Foucault, a sociedade faz uso abusivo do poder através das instituições, escolas e prisões, por exemplo.

A era moderna é definida através da disciplina, que nada mais é do que um meio de dominação que tem como objetivo domesticar o comportamento humano.

Quanto à educação, Foucault chama a escola umas das “instituições de sequestro”. Segundo ele, a escola tira os alunos do seu meio para os enclausurar e, nessa clausura, domesticá-los da forma como a sociedade quer.

Antes, a escola era um local de castigo. Com a era moderna, passa a ser um local de domesticação, modelo que também é seguido no sistema prisional.

"Todo sistema de educação é uma maneira política de manter ou de modificar a apropriação dos discursos, com os saberes e os poderes que eles trazem consigo." (Michel Foucault)


Bauman

Para entender o conceito de modernidade líquida, precisamos recordar quais são as propriedades dos líquidos. Estes se caracterizam pela instabilidade, falta de coesão e de uma forma definida.

A modernidade líquida, portanto, se caracteriza por uma sociedade e um tempo onde tudo é volátil e adaptável. Se contrapõe à década anterior, a modernidade sólida, onde a sociedade era ordenada, coesa, estável e previsível.

Nada está fixo, parado ou inalterado na modernidade líquida. Ela é mutante e instável ou em outras palavras, caótica. Tudo pode ser adaptável seja a profissão, os relacionamentos, a religião, etc.

O que teria provocado esta mudança? Bauman aponta algumas razões:
  1. As empresas são cada vez mais poderosas, mais ainda que os governos. As grandes transnacionais tem o poder de mudar leis, economia, o meio-ambiente, etc.
  2. A velocidade das mudanças tecnológicas cada vez mais rápidas com a Internet.
  3. A migração de pessoas que se deslocam rapidamente impactando de forma abrupta os lugares onde se instalam e geram impactos culturais e sócio-econômicos.




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